Kauane Duarte Lopes, que atuou como secretária municipal da Fazenda em Pinheiro Machado, está sob investigação por um suposto esquema que desviou R$ 1,46 milhão de verbas destinadas à aquisição de medicamentos e materiais de saúde.
Nesta segunda-feira (13), a Operação Código Reverso foi desencadeada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS) em conjunto com a Polícia Federal (PF). Até o momento, não houve detenções.
A apuração indica que entre 2023 e o início de 2026, pagamentos teriam sido direcionados a empresas associadas à ex-secretária através da falsificação de documentos administrativos e da utilização de notas fiscais fraudulentas.
Kauane deixou seu cargo em abril deste ano.
Defesa afirma que colaborava com investigação
A defesa de Kauane comunicou que já havia se apresentado ao Ministério Público antes da execução das medidas judiciais para oferecer esclarecimentos e auxiliar na investigação.
Essa declaração deve ser posicionada no início da matéria, considerando que agora há uma identificação clara e acusações específicas contra a investigada.
Empresas teriam nomes semelhantes aos de fornecedores
Conforme informações do promotor Rogério Meirelles Caldas, a ex-secretária teria constituído empresas nas quais era sócia, utilizando nomes similares aos de prestadoras de serviços contratadas pela prefeitura.
A suspeita é que os registros oficiais mantivessem as informações dos fornecedores legitimamente contratados pelo município, enquanto os documentos de pagamento eram manipulados para canalizar recursos às empresas ligadas à investigada.
O Ministério Público revelou que uma das empresas recebeu R$ 925 mil entre 2025 e 2026, enquanto outra teria recebido R$ 535 mil em 2023.
No total, os pagamentos somam R$ 1,46 milhão e envolvem recursos destinados à aquisição de medicamentos e insumos para a Secretaria Municipal da Saúde.
Investigação começou após alerta da prefeitura
A investigação teve início após a Prefeitura de Pinheiro Machado identificar e reportar irregularidades.
Servidores da administração atual descobriram documentos que não foram arquivados seguindo os procedimentos normais. A análise desses documentos trouxe à tona indícios de anomalias em empenhos, liquidações e pagamentos.
Os investigadores planejam examinar o material apreendido, requisitar documentos nos setores da prefeitura e consultar dados do Tribunal de Contas para verificar se há outros valores envolvidos no caso.
Operação apreende veículos e bloqueia bens
Foi cumprido um mandado de busca e apreensão na residência da ex-secretária durante a operação.
Dois veículos foram confiscados, um imóvel foi tornado indisponível e valores foram bloqueados. Os investigadores afirmaram que estas ações visam preservar evidências e assegurar um possível ressarcimento aos cofres públicos.
A investigação está examinando possíveis delitos como peculato, falsidade ideológica, uso de documento falso, supressão de documento e fraude em contratação pública.
