Delegado da PF falece após ser atingido por tiros durante operação em Passo Fundo

O delegado da Polícia Federal, Michel Brasil Saliba, faleceu na madrugada desta sexta-feira, 3, por volta das 2h30, no Hospital São Vicente de Paulo, localizado em Passo Fundo. Ele sofreu disparos na manhã de quinta-feira, 2, durante uma operação voltada ao combate ao contrabando e descaminho no Norte do Rio Grande do Sul.

Desde o ataque, Saliba estava internado em estado crítico. O delegado foi atingido por três tiros nas regiões do tórax e costas enquanto cumpria um mandado de busca e apreensão em um apartamento situado na Rua José Bonifácio, no bairro Vila Rodrigues. Ele exercia suas funções na delegacia da PF de Chuí, que faz fronteira com o Uruguai.

Um segundo agente da PF também sofreu ferimentos durante a operação. Ele recebeu cuidados médicos e já teve alta.

O responsável pelos disparos é o policial militar Daniel Machado Figueiró, que pertence ao 3º RPMon (Regimento de Polícia Montada). Ele foi detido em flagrante logo após o incidente.

O alvo do mandado era a companheira de Figueiró, uma empresária que estava no local durante a execução da ordem judicial.

A Brigada Militar informou que Daniel estava afastado de suas funções devido a uma licença para tratar de assuntos pessoais. A Corregedoria-Geral da BM está acompanhando a situação.

O corpo de Michel Brasil Saliba será trasladado para Bagé, na região da Campanha do Rio Grande do Sul, onde serão realizados velório e sepultamento. Até o momento, os horários das cerimônias ainda estavam indefinidos.

Alegações das defesas sobre a ação policial

A defesa de Daniel Machado Figueiró declarou que o policial não reconheceu quem estava arrombando a porta do apartamento e reagiu instintivamente para proteger a si mesmo e sua parceira.

Os advogados José Paulo Schneider e Ricardo Almeida expressaram pesar pela morte do delegado e informaram que Daniel havia se afastado temporariamente a pedido próprio para lidar com questões relacionadas à saúde de sua mãe.

A defesa da empresária também lamentou profundamente a perda de Michel Brasil Saliba e enviou condolências aos familiares, amigos e colegas do delegado. A nota foi emitida pelos advogados Maurício Batista da Silva, Tábata Luiza Haag Bitencourt Pasquali, Pedro Henrique Bitencourt Pasquali e Arthur Feltrin Milani.

Segundo os advogados, a empresária não tinha ideia de que a diligência em sua residência estava sendo realizada por policiais federais relacionados à investigação sobre suposto contrabando internacional. Eles acrescentaram que ela vinha enfrentando ameaças ligadas à sua atividade empresarial e que essa situação já havia sido comunicada ao seu companheiro.

A empresária reafirma que todas as suas operações são realizadas dentro da legalidade e manifestou disposição para colaborar com as autoridades competentes.

Objetivos da operação contra esquema financeiro

A ação da Polícia Federal visava desmantelar um sistema financeiro paralelo utilizado para respaldar um esquema de contrabando envolvendo mercadorias provenientes de Miami, nos Estados Unidos.

No total, foram executados nove mandados de busca e apreensão. Além disso, a Justiça liberou 56 ordens para sequestro de bens imóveis e impôs bloqueios em contas bancárias vinculadas a 38 pessoas físicas e jurídicas sob investigação.

Os valores dos bloqueios podem atingir até R$ 28 milhões. As autorizações foram concedidas pela 11ª Vara Federal de Porto Alegre.

A investigação aponta para uma organização criminosa originada em Santana do Livramento. Esse grupo é suspeito de coordenar a entrada ilegal de mercadorias no território brasileiro pela fronteira com o Uruguai.

Parte das operações ocorria em Miami, ponto inicial dos produtos envolvidos no esquema. As circunstâncias que levaram aos disparos e o envolvimento dos participantes estão sendo investigados pela Polícia Federal.

Notas das defesas

Abaixo está a íntegra da nota emitida pela defesa da empresária investigada na operação. Este documento é assinado pelos advogados Maurício Batista da Silva, Tábata Luiza Haag Bitencourt Pasquali, Pedro Henrique Bitencourt Pasquali e Arthur Feltrin Milani.

“A defesa da empresária expressa seu profundo pesar pelo falecimento do Delegado da Polícia Federal e apresenta suas condolências aos familiares, amigos e colegas neste momento difícil.

Esclarecemos que a empresária nunca imaginou que a ação em sua residência estivesse sendo realizada por policiais federais como parte de uma operação relacionada à investigação sobre suposto contrabando internacional. Ela tem enfrentado ameaças relacionadas à sua atividade empresarial, situação essa já comunicada ao seu companheiro policial militar. Diante dos acontecimentos inesperados e acreditando estar diante de uma ameaça iminente, ele reagiu com firmeza.

A defesa técnica ressalta que até agora não teve acesso aos documentos da investigação que originou o mandado de busca e apreensão nem às provas que fundamentaram essa medida. Por isso, reserva-se o direito de se manifestar detalhadamente assim que tiver acesso completo à investigação para garantir o contraditório e ampla defesa.

A empresária reitera que todas as suas atividades comerciais são conduzidas dentro dos parâmetros legais e reafirma seu compromisso em colaborar plenamente com as autoridades judiciais, permanecendo à disposição para fornecer todos os esclarecimentos necessários à completa elucidação dos fatos. Ela também expressa novamente suas condolências pela irreparável perda do Delegado da Polícia Federal.”

A seguir está o conteúdo integral da nota emitida pela defesa do policial militar. O documento é assinado pelos advogados José Paulo Schneider e Ricardo Almeida.

“A defesa técnica do Policial Militar lamenta profundamente o trágico desfecho deste episódio. Registra-se também o mais sincero respeito por toda a corporação da Polícia Federal.

Esclarece-se que o Policial Militar pediu afastamento voluntário para tratar de assuntos pessoais ligados à saúde de sua mãe.

Sublinha-se que segundo relato do Policial Militar ele não identificou as pessoas arrombando a porta como policiais federais; agiu instintivamente para proteger tanto ele quanto sua companheira.

Após perceber que se tratava de agentes federais, ele buscou prestar toda assistência necessária para socorrê-los adequadamente.

Menciona-se ainda que as circunstâncias reais do ocorrido estão sendo investigadas pela Polícia Federal; nesse sentido qualquer conclusão ou afirmação precipitada sobre os eventos deve ser evitada neste momento.

Pede-se portanto que as investigações prossigam dentro dos princípios da legalidade extrema, imparcialidade e transparência.”

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By Fato ou Fake Canoas

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