Na noite desta quarta-feira (27), a Câmara dos Deputados deu um passo significativo ao aprovar, em dois turnos, a proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/19, que extingue a jornada de trabalho na escala 6×1. No segundo turno, o resultado foi de 461 votos a favor e 19 contra.
Agora, a proposta seguirá para apreciação no Senado.
A emenda estabelece uma redução da carga horária semanal de 44 para 40 horas, sem implicar em diminuição salarial. Além disso, o texto assegura que os trabalhadores terão direito a duas folgas por semana, sendo uma delas preferencialmente aos domingos. As novas regras começarão a valer 60 dias após a promulgação da emenda.
O relator Leo Prates (Republicanos-BA) apresentou o texto que resultou da junção de duas propostas de emenda à Constituição já em tramitação: a PEC 221/19, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que previa uma jornada semanal de 36 horas após dez anos, e a PEC 8/25, da deputada Erika Hilton (Psol-SP), que propunha uma escala de trabalho de quatro dias seguidos por três dias de descanso, com limite de 36 horas semanais após um ano.
Transição
Conforme o texto aprovado, a jornada será gradualmente reduzida. Após os primeiros 60 dias, ela diminuirá de 42 para 40 horas semanais. Um ano após essa redução inicial, a carga horária será ajustada para manter um máximo de oito horas diárias.
Essa transição foi acordada entre o governo e o presidente da Câmara dos Deputados.
Após os 60 dias e durante o período de transição da jornada, será possível aumentar temporariamente a carga diária através de negociações em convenções ou acordos coletivos.
Confira as regras de transição da PEC que extingue a escala 6×1:
- Estabelecimento de uma jornada semanal de cinco dias trabalhados e dois dias de descanso (após os primeiros 60 dias);
- Redução progressiva da carga horária semanal de 44 para 42 horas (após os primeiros 60 dias);
- Jornada reduzida para 40 horas semanais mantendo a escala cinco por dois ao longo de um período total de quatorze meses.
Antes da votação final no plenário, o texto já havia sido aprovado por uma comissão especial que analisou sua viabilidade. Pela manhã, foi realizada uma breve sessão presidida por Motta para permitir que o projeto fosse colocado em votação na comissão. Dos 38 membros presentes, 34 se mostraram favoráveis e apenas quatro se opuseram. Em seguida, a PEC foi incluída na Ordem do Dia da Câmara para votação no plenário.
A aprovação gerou reações positivas entre os parlamentares alinhados ao governo e críticas por parte da oposição.
A deputada Dandara (PT-MG), que atuou como caixa em lojas com jornada na escala 6×1, lembrou-se das dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores e destacou que essa mudança permitirá mais qualidade de vida.
“Eu conheço bem o barulho do ônibus lotado às cinco da manhã, as refeições rápidas e vestir o uniforme ainda no escuro. Eu sei como é ter os pés inchados após longas horas em pé: oito, dez ou até doze horas. Essa escala não se encaixa no cotidiano das pessoas. Não é apenas uma questão temporal; trata-se da vida”, enfatizou.
Durante as discussões na sessão legislativa, membros da oposição expressaram seu descontentamento com a redução da carga horária. O deputado Kim Kataguiri (Missão-SP) afirmou que tal proposta não trará melhorias reais à vida dos trabalhadores.
“Não vou enganar os trabalhadores dizendo que essa PEC vai eliminar a escala 6×1”, declarou.
Compreenda outros aspectos da PEC pelo fim da escala 6×1:
- A jornada não poderá exceder oito horas diárias e quarenta horas semanais; compensações poderão ser estabelecidas mediante acordo coletivo;
- A legislação ordinária abordará jornadas diferenciadas para trabalhadores com seis horas diárias;
- A nova norma não se aplicará aos empregados cuja carga horária seja igual ou inferior a quarenta horas semanais ou aqueles com nível superior cuja remuneração mensal seja igual ou superior a R$8.475,55;
- Uma lei complementar poderá implementar medidas específicas para microempreendedores individuais e empresas menores.
Votações dos representantes gaúchos
A favor:
Afonso Hamm (PP)
Afonso Motta (PDT)
Alceu Moreira (MDB)
Alexandre Lindenmeyer (PT)
Any Ortiz (PP)
Bohn Gass (PT)
Carlos Gomes (Republicanos)
Daiana Santos (PCdoB)
Daniel Trzeciak (PSDB)
Danrlei de Deus Hinterholz (PSD)
Denise Pessôa (PT)
Fernanda Melchionna (PSOL)
Franciane Bayer (Republicanos)
Giovani Cherini (PL)
Heitor Schuch (PSD)
Luiz Carlos Busato (União)
Marcelo Moraes (PL)
Márcio Biolchi (MDB)
Marcon (PT)
Maria do Rosário (PT)
Osmar Terra (PL)
Paulo Pimenta (PT)
Pedro Westphalen (PP)
Pompeo de Mattos (PDT)
Sanderson (PL)
Zucco (PL)
Contra:
Bibo Nunes(PL)
Lucas Redecker(PSD)
Marcel van Hattem(Novo)
Mauricio Marcon(PL)
Sérgio Turra(PP)
