Em abril, a intenção de consumo das famílias do Rio Grande do Sul registrou uma queda pela 14ª vez consecutiva em comparação ao mês anterior. O índice atingiu 41,7 pontos, permanecendo abaixo da marca de 100 pontos, que serve como um divisor entre uma visão otimista e uma pessimista.
Esse resultado indica uma diminuição de 4,6% em relação a março de 2026 e um recuo de 27,4% se comparado a abril de 2025. Os dados foram extraídos da Pesquisa de Intenção de Consumo das Famílias Gaúchas, realizada pela CNC nos últimos dez dias de março e divulgada pela Fecomércio-RS em Porto Alegre.
A pesquisa avalia como as famílias percebem questões como emprego, renda, acesso ao crédito, consumo atual, expectativas profissionais, previsões de consumo e o momento adequado para adquirir bens duráveis. Os índices variam entre 0 e 200 pontos.
Seis indicadores apresentaram queda
Entre os sete aspectos analisados, seis mostraram redução em abril. A maior retração foi observada no quesito sobre o momento para consumir bens duráveis, que caiu para 5,1 pontos, representando uma queda de 18,8%.
A expectativa em relação ao consumo teve uma diminuição de 8,8%, alcançando 44,9 pontos. O acesso ao crédito sofreu um recuo de 6,2%, situando-se em 60,1 pontos. Já o nível atual de consumo caiu 6,4%, atingindo apenas 32,5 pontos.
Além disso, a perspectiva profissional teve um declínio de 5,4%, alcançando 7,8 pontos. A situação do emprego atual também apresentou queda de 3,9%, caindo para 63,6 pontos.
O único componente que apresentou crescimento foi a avaliação da renda atual, que subiu 0,8%, chegando a 78,1 pontos. No entanto, todos os indicadores permaneceram abaixo da marca de 100 pontos e também ficaram aquém dos níveis verificados em abril do ano anterior.
Pressão sobre a renda
Luiz Carlos Bohn, presidente da Fecomércio-RS/Sesc/Senac e IFEP, comentou que a confiança das famílias gaúchas está novamente em declínio mesmo diante de um cenário com baixa taxa de desemprego e rendimentos médios reais relativamente altos.
Ele aponta que a renda disponível enfrenta pressão devido à elevada carga tributária, níveis altos de endividamento e gastos com jogos e apostas. Além disso, a inflação recente e os juros mantidos em patamares elevados contribuem para essa situação.
Na análise da entidade representativa do comércio e serviços voltados às famílias, é necessário que as empresas reajustem suas estratégias para se adaptar a um perfil consumidor mais cauteloso.
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