Copom reduz taxa básica de juros para 14,75%, porém alerta para instabilidade no Oriente Médio

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, levando os juros básicos para 14,75% ao ano. Em seu comunicado, o BC destacou que o ambiente externo se tornou mais incerto devido ao agravamento dos conflitos no Oriente Médio.

Segundo o Banco Central, essa instabilidade aumentou a volatilidade dos preços de ativos e commodities, exigindo cautela por parte dos países emergentes. O comitê também apontou riscos para a inflação no Brasil devido aos efeitos na cadeia global de suprimentos e nos preços das commodities.

No cenário interno, o BC afirmou que a atividade econômica continua moderada, conforme esperado, enquanto o mercado de trabalho ainda mostra resiliência. A autoridade monetária também destacou que, apesar de um certo arrefecimento, tanto a inflação cheia quanto os núcleos permanecem acima da meta.

As expectativas de inflação, conforme a pesquisa Focus, foram de 4,1% para 2026 e 3,8% para 2027. Já a projeção do Copom para o terceiro trimestre de 2027, horizonte relevante da política monetária, ficou em 3,3%.

Cenário adverso

O Banco Central ressaltou que os riscos para a inflação, tanto para cima quanto para baixo, aumentaram depois do início dos conflitos no Oriente Médio. Dentre os fatores de pressão, o comitê mencionou a desancoragem das expectativas, a inflação de serviços mais resistente e possíveis impactos das políticas econômicas internas e externas, com reflexos cambiais. Por outro lado, apontou para uma possível desaceleração mais forte da atividade doméstica, perda de ritmo na economia global e queda nos preços das commodities como vetores de alívio.

No comunicado, o Copom enfatizou que começou um ciclo de ajustes na política monetária após um período prolongado de juros em um patamar contracionista. O comitê ressaltou que isso abre espaço para ajustes graduais, sem abandonar o objetivo de convergência da inflação.

O Banco Central também destacou que os próximos passos serão determinados pelas novas informações sobre a extensão do conflito no Oriente Médio e seus efeitos sobre os preços. O comitê assegurou que manterá serenidade e cautela na condução da política monetária.

Críticas do setor produtivo e centrais sindicais

A decisão de reduzir a taxa Selic recebeu críticas de entidades do setor produtivo e de centrais sindicais, que consideraram o corte correto, mas insuficiente.

O presidente da Fecomércio-RS, Luiz Carlos Bohn, afirmou que a redução dos juros era esperada, porém abaixo das expectativas anteriores devido ao conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, bem como à pressão sobre o petróleo. Ele também defendeu uma política fiscal mais austera como condição para juros estruturalmente mais baixos.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avaliou que a redução dos juros não interrompe a desaceleração da atividade nem alivia significativamente o endividamento. Por sua vez, a Fecomércio-SP afirmou que o ciclo de queda começou, mas com intensidade ainda incerta.

Da mesma forma, a Contraf-CUT e a Força Sindical declararam que o corte é pequeno diante do peso das dívidas e da necessidade de estimular o consumo e o emprego.

By Fato ou Fake Canoas

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