No mês de julho, os preços dos alimentos apresentaram uma queda, contribuindo para que a inflação oficial desacelerasse pelo quarto mês consecutivo, encerrando em 0,07%. Esse resultado faz com que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registre um acumulado de 4,44% em 12 meses, retornando assim à meta estabelecida pelo governo.
O IPCA referente a julho alinhou-se às previsões do mercado financeiro. Conforme o boletim Focus divulgado na segunda-feira (10), uma pesquisa realizada pelo Banco Central (BC) com instituições financeiras previa uma inflação de 0,07% para o mês. Para o final de 2026, as expectativas do mercado apontam um IPCA em 5,02%.
A seguir estão os dados da inflação oficial nos meses de 2026:
Janeiro: 0,33%
Fevereiro: 0,70%
Março: 0,88%
Abril: 0,67%
Maio: 0,58%
Junho: 0,16%
Julho: 0,07%
Essas informações foram divulgadas nesta terça-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Dentro da meta
A dinâmica dos preços fez com que o acumulado de 12 meses (4,44%) retornasse à faixa da meta governamental: estabelecida em 3%, com uma tolerância de até 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, resultando em um intervalo de 1,5% a 4,5%.
No mês de abril, o acumulado estava em 4,39%, mas ultrapassou o limite superior em maio (4,72%) e junho (4,64%).
A partir de janeiro de 2025, a avaliação da meta considera os últimos 12 meses e não apenas os resultados até dezembro. A meta é considerada descumprida se a inflação ultrapassar o intervalo estabelecido por seis meses consecutivos.
Julho
A taxa registrada em julho foi a menor desde agosto de 2025, quando o IPCA atingiu 0,11%. Considerando apenas os meses de julho ao longo dos anos anteriores, este desempenho é o mais baixo desde 2022 (-0,68%).
No que diz respeito ao índice de difusão em julho — que revela a amplitude da inflação — ficou em 50%, indicando que metade dos produtos e serviços analisados pelo IBGE teve aumento nos preços.
A seguir estão os resultados sobre como os preços se comportaram e seu impacto em pontos percentuais (p.p.) nos nove grupos analisados pelo IBGE:
Alimentação e bebidas: -0,67% (-0,14 p.p.)
Habitação: 0,99% (0,15 p.p.)
Artigos de residência: 0,07% (0 p.p.)
Vestuário: -0,66% (-0,03 p.p.)
Transportes: 0,05% (0,01 p.p.)
Saúde e cuidados pessoais: 0,40% (0,06 p.p.)
Despesas pessoais: 0,22% (0,02 p.p.)
Educação: -0,03% (0 p.p.)
Comunicação: 0,04% (0 p.p.)
Alimentos
Pelo segundo mês consecutivo, o grupo alimentação e bebidas — que possui maior peso na cesta familiar brasileira — registrou deflação. Em junho passado houve uma diminuição de preços de 0,24%.
No caso dos alimentos consumidos no domicílio especificamente houve uma redução média de preço de 1,14% em julho. Essa diminuição foi impulsionada pela queda significativa no subgrupo tubérculos e legumes (-16.15%).
Abaixo estão os itens alimentícios que mais contribuíram para a redução da inflação no último mês:
Tomate: -29.09% (-0.10 p.p.)
Batata-inglesa: -19.59% (-0.06 p.p.)
Cenoura: -14.41% (-0.01 p.p.)
Café moído: -2.45% (-0.01 p.p.)
No tocante ao café moído mencionado anteriormente cabe destacar que a queda acumulada nos últimos doze meses (-17.2%) representa a maior variação negativa desde a implementação do plano Real em 1994.
Fernando Gonçalves, analista ligado à pesquisa do IBGE explica que a redução nos preços alimentares decorre do aumento na oferta desses produtos devido a condições climáticas mais favoráveis. “O clima ficou mais propício”, destaca.
Eletricidade
A energia elétrica apresentou um incremento médio de custo de 3.09%, sendo esta a principal contribuição isolada para a elevação do índice no mês (com impacto de +0.13 p.p.). O IBGE aponta que esse aumento está relacionado aos reajustes implementados nas cidades de São Paulo, Porto Alegre e Curitiba. Como o IPCA é um índice nacional abrangente as oscilações regionais afetam diretamente sua média final.
Fernando Gonçalves também menciona que há expectativa de alívio nas contas elétricas em agosto devido ao desconto conhecido como Bônus Itaipu que será concedido aos consumidores e já foi aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Transportes
No segmento transportes destacam-se as passagens aéreas com um acréscimo significativo(11.67%). Por outro lado os combustíveis apresentaram uma queda média de preços com destaque para etanol (-2.26%), gasolina (-1.37%), óleo diesel (-1.22%) e gás veicular (-0.08%).
O índice
O IPCA mede o custo de vida das famílias cujo rendimento varia entre um e quarenta salários mínimos. No total são coletados preços referentes a377 subitens incluindo produtos e serviços diversos.
A coleta ocorre nas dez regiões metropolitanas — Belém, Fortaleza, Recife , Salvador , Belo Horizonte , Vitória , Rio de Janeiro , São Paulo , Curitiba , Porto Alegre — além das capitais Brasília , Goiânia , Campo Grande , Rio Branco , São Luís e Aracaju.
