Preparativos são acelerados em 60 cidades do RS devido à ameaça de um El Niño severo

O governo do estado do Rio Grande do Sul decidiu antecipar reuniões com aproximadamente 60 municípios que estão entre os mais suscetíveis aos efeitos das mudanças climáticas, <strongconsiderando a possibilidade de um El Niño severo se desenvolver a partir da primavera.

Essa deliberação foi realizada na quarta-feira (20), durante um encontro entre representantes do governo e da Defesa Civil Estadual, onde foram analisadas as previsões climáticas para os próximos meses.

Os dados apresentados revelam que os modelos meteorológicos preveem um aquecimento acelerado do Oceano Pacífico, com 83% de chance de que a temperatura alcance entre 1,5°C e 2°C acima da média. Esse aumento indicaria a possibilidade de um fenômeno com intensidade semelhante ao El Niño observado em 2015/2016.

A meteorologista Cátia Valente, integrante da Defesa Civil, destacou que a temperatura do Pacífico subiu de -0,4°C no final de 2025 para 0,5°C em maio deste ano, nível que está relacionado ao início da formação desse fenômeno climático.

Eventos extremos

A Defesa Civil ressaltou que a ocorrência do El Niño por si só não é suficiente para garantir que eventos extremos acontecerão. Os impactos dependem de uma série de fatores adicionais, como bloqueios atmosféricos e frentes estacionárias, cujas previsões não podem ser feitas com antecedência significativa.

Além disso, o aquecimento anômalo do Oceano Atlântico pode elevar as chances de surgimento de frentes frias e ciclones extratropicais, ampliando assim os impactos potenciais no segundo semestre de 2026.

A análise feita pela Defesa Civil sugere que as condições atuais são similares às observadas em 2023. Contudo, esse cenário pode sofrer alterações após o período de transição da estação outonal.

Reuniões com prefeitos

Diante dessa situação, o governo estabeleceu um fluxo de Governança Integrada de Proteção com os municípios selecionados com base em análises técnicas sobre eventos extremos anteriores e informações meteorológicas, hidrológicas e geológicas.

A primeira fase incluirá uma reunião com os prefeitos das cidades que estão sob maior risco nas próximas semanas. O objetivo é apresentar diagnósticos detalhados sobre as áreas vulneráveis e coordenar protocolos para a preparação e ativação dos planos de contingência adequados.

Após essa reunião inicial, o governo planeja realizar seminários regionais contando com a participação do governador Eduardo Leite.

Estrutura da Defesa Civil

A Defesa Civil informou que quadruplicou seu efetivo técnico. Um radar meteorológico já está em funcionamento em Porto Alegre, enquanto outros três estão previstos para entrar em operação nos próximos meses.

O estado também revelou ter investido cerca de R$ 1 bilhão através do Plano Rio Grande em tecnologia e equipamentos para as forças de segurança pública.

Além disso, a Defesa Civil utiliza modelagem hidrodinâmica para prever o comportamento dos rios nas áreas mais propensas a inundações. O órgão já possui mapas das áreas afetadas por inundações mapeadas nos 60 municípios, levando em consideração diferentes níveis de impacto conforme a elevação esperada dos rios.

O governo assegura que todos os 497 municípios gaúchos dispõem de planos estruturados para contingência, visando à preparação e resposta eficazes diante de eventos climáticos extremos.

By Fato ou Fake Canoas

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