Na manhã de quinta-feira, 15 de setembro, a Polícia Civil lançou a Operação Cadeia de Comando, coordenada pela DRACO (Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas) em Viamão. Esta operação, que conta com a colaboração da Polícia Penal, visa desmantelar o tráfico de drogas e crimes relacionados que são orquestrados a partir de unidades prisionais no estado do Rio Grande do Sul. Até o momento, dez suspeitos foram detidos.
A ação mobilizou mais de 170 policiais civis e efetivos prisionais, resultando no cumprimento de 36 mandados de busca e apreensão e 11 mandados de prisão preventiva. As ordens judiciais se estenderam a várias cidades, incluindo Alvorada, Viamão, Canoas, Gravataí, Agudo e Balneário Pinhal.
Foram realizadas incursões em prisões consideradas estratégicas, como a Penitenciária Estadual de Porto Alegre, a Cadeia Pública de Porto Alegre, a Penitenciária Estadual de Charqueadas III, além da PEJ (Penitenciária Estadual do Jacuí) e da PASC (Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas).
Investigação e modus operandi
O delegado Alexandre Luiz Fleck, que lidera a DRACO em Viamão, informou que as investigações começaram em fevereiro deste ano. O foco inicial foi um indivíduo vinculado a uma organização criminosa baseada em Alvorada, com intensa atuação na Região Metropolitana.
A facção empregava práticas violentas para cobrar dívidas, incluindo agressões e torturas. Além do tráfico de drogas, estavam envolvidos em roubos, homicídios e comércio ilegal de armas. Um aspecto notável da estrutura investigada era sua gestão remota: detentos já encarcerados utilizavam aplicativos de mensagens para enviar ordens sobre o transporte de drogas e a logística relacionada ao manuseio de armas, coletes à prova de balas e veículos utilizados nas atividades ilícitas.
“Os dados da investigação revelaram que o grupo tinha conexões não apenas na Região Metropolitana, mas também com áreas do interior do Estado e o Litoral Norte”, acrescentou o delegado Fleck.
Ao final da operação, Fleck ressaltou os desafios estruturais enfrentados pelas forças policiais no combate à criminalidade organizada que opera a partir das prisões.
“As investigações indicam uma necessidade urgente por soluções legais que possibilitem formas eficazes para impedir que indivíduos já encarcerados continuem exercendo controle sobre atividades criminosas. Apesar dos esforços realizados pela Polícia Penal, essa prática ainda não encontra um desestímulo adequado.”
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