A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu prorrogar a proibição da fabricação, comercialização, distribuição e utilização de produtos da marca Ypê que possuam lotes com numeração final 1. Essa decisão se aplica aos itens regulados pela Resolução 1.834/2026.
Os produtos afetados incluem detergentes líquidos para louças, sabões líquidos para roupas e desinfetantes. No entanto, o recolhimento destes itens ficará suspenso até que a fabricante apresente um plano de gestão adequado.
Enquanto não houver definição sobre esse plano, é recomendado que os consumidores evitem o uso dos produtos suspensos. Os itens devem ser armazenados em locais secos e ventilados, mantidos lacrados ou bem fechados.
A resolução foi tomada pela Diretoria Colegiada da Anvisa na sexta-feira (15). O recurso enviado pela Química Amparo, responsável pela marca Ypê, ainda está sob análise na agência.
Quais produtos Ypê estão suspensos
Os lotes com numeração final 1 dos seguintes produtos estão sob suspensão:
- Lava-Louças Ypê Clear Care
- Lava-Louças Com Enzimas Ativas Ypê
- Lava-Louças Ypê
- Lava-Louças Ypê Toque Suave
- Lava-Louças Concentrado Ypê Green
- Lava-Louças Ypê Clear
- Lava-Louças Ypê Green
- Tixan Ypê Combate Mau Odor
- Tixan Ypê Cuida das Roupas
- Lava-Roupas Líquido Tixan Ypê Antibac
- Lava-Roupas Líquido Tixan Ypê Coco e Baunilha
- Lava-Roupas Líquido Tixan Ypê Green
- Lava-Roupas Líquido Ypê Express
- Lava-Roupas Líquido Ypê Power Act
- Lava-Roupas Líquido Ypê Premium
- Lava-Roupas Tixan Maciez
- Lava-Roupas Tixan Primavera
- Desinfetante Bak Ypê
- Desinfetante de Uso Geral Atol
- Desinfetante Perfumado Atol
- Desinfetante Pinho Ypê
- Lava-Roupas Tixan Power Act
Razões para a suspensão
A primeira suspensão foi anunciada em 7 de maio como resultado de uma inspeção sanitária realizada entre os dias 27 e 30 de abril na fábrica da Química Amparo, localizada em Amparo, São Paulo.
Durante a fiscalização, foram identificadas 76 irregularidades relacionadas às práticas adequadas de fabricação. Entre as falhas encontradas estão problemas nos sistemas de garantia da qualidade e controle durante a produção.
Nos pareceres da diretoria, a Anvisa enfatizou que o caso não se limita a desconformidades isoladas. A agência destacou fragilidades no controle microbiológico, monitoramento da água utilizada no processo produtivo, segregação de produtos não conformes e rastreabilidade.
Desde 2022, relatos sobre alterações no odor dos produtos indicaram possíveis problemas no controle microbiológico. Em 2024, foram registrados problemas recorrentes relacionados a microorganismos nos itens fabricados pela empresa. Em 2025, foi confirmada a presença de Pseudomonas aeruginosa em vários lotes.
Essa bactéria tem a capacidade de persistir em ambientes úmidos e em produtos líquidos. O contato com itens contaminados pode resultar em infecções cutâneas, nos olhos ou nas vias respiratórias, especialmente em indivíduos mais suscetíveis.
Posição dos diretores da Anvisa
O diretor-presidente Leandro Safatle, relator do caso, votou pela manutenção da proibição das atividades relacionadas aos produtos. Ele ressaltou que essa decisão é preventiva e não implica um julgamento final do recurso apresentado pela empresa.
Em seu voto, Safatle esclareceu que os produtos da marca Ypê não são automaticamente considerados proibidos. A restrição aplica-se especificamente aos itens fabricados na unidade de Amparo com lotes que terminam em 1.
A diretora Daniela Marreco acompanhou o relator e enfatizou que as condições observadas durante a inspeção representam um alto risco sanitário devido à falha simultânea em várias barreiras críticas de controle.
Ela também defendeu uma comunicação clara com o consumidor e um plano de ação aprovado pela Anvisa para lidar com os produtos já distribuídos.
O diretor Daniel Pereira também apoiou o relator. Em seu voto, ele mencionou um histórico preocupante de problemas microbiológicos desde 2024 e citou a detecção de Pseudomonas aeruginosa em diversos lotes durante 2025, além das falhas significativas nas Boas Práticas de Fabricação.
Pereira reiterou que as atividades relacionadas aos produtos devam continuar proibidas e destacou que cabe à empresa informar aos consumidores e comerciantes sobre o destino dos itens já distribuídos.
O diretor Thiago Botelho ressaltou que a avaliação feita pela Diretoria Colegiada é cautelar e não determina responsabilidade administrativa para a empresa envolvida.
Thiago apontou que a inspeção sanitária revelou fragilidades sistêmicas nos controles internos da unidade fabril. As falhas mencionadas incluem problemas no controle microbiológico e na segregação de produtos não conformes.
Situação do recolhimento dos produtos
A Anvisa decidiu manter a proibição referente à fabricação, comercialização e uso dos produtos listados. Contudo, o recolhimento permanecerá suspenso até que a empresa apresente um plano eficaz para mitigação dos riscos envolvidos.
Este plano deverá ser aprovado pela agência reguladora e incluir elementos como rastreabilidade, monitoramento pós-mercado, comunicação sobre riscos ao consumidor e destinação adequada dos produtos afetados.
A Anvisa também sublinhou que cabe à empresa comunicar tanto consumidores quanto comerciantes sobre como proceder com os itens já distribuídos no mercado.
No voto do diretor Daniel Pereira foi destacado o funcionamento inadequado do Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) da empresa. Para ele, um atendimento eficiente é crucial em situações envolvendo riscos à saúde pública.
E agora?
A Química Amparo informou à Anvisa que sua linha de produção permanece parada desde o início da suspensão. A empresa também mencionou ter realizado ações de limpeza e readequação dos processos produtivos além da melhoria do controle de qualidade por meio da aquisição de novos equipamentos.
Durante reuniões técnicas, a fabricante apresentou mais de 200 iniciativas implementadas nas áreas de produção e controle. A Anvisa realizará uma nova inspeção para avaliar as melhorias realizadas até o momento.
A decisão tomada nesta sexta-feira não encerra o processo administrativo; a análise do recurso prossegue enquanto a suspensão dos produtos continua válida até que sejam restabelecidas as condições necessárias para garantir controle e qualidade adequados.
