Automóveis

Agricultora de Batatais é vítima de fraude em financiamento de carro

Sônia Mani, moradora de Batatais, ficou surpresa ao receber a visita de um oficial de Justiça em sua residência, que informava sobre a tentativa de apreensão de seu veículo devido ao não pagamento de parcelas de um financiamento em nome de uma mulher desconhecida.

“Nunca vendi para ninguém, nunca financiei, nunca emprestei para ninguém. Foi muito constrangedor ter um carro, um policial e um guincho de frente à minha casa buscando um carro”, contou Sônia.

A agricultora conseguiu convencer o oficial a não levar o carro e, em seguida, registrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil, solicitando a investigação da suposta fraude e do uso inadequado de documentos.

Embora tenha obtido uma decisão favorável para desbloquear o veículo, ele ainda enfrenta restrições quanto à venda e ao uso.

O C6 Bank, instituição citada por Sônia como responsável pelo financiamento, afirmou que o caso é resultado de uma fraude externa perpetrada por terceiros em uma revendedora no Rio Grande do Sul.

Sônia, que teve o carro comprado à vista por seu marido em 2020, nunca esteve no Rio Grande do Sul. Ao ser abordada, ela apresentou a nota fiscal do automóvel, enfatizando que não havia vendido e não tinha recebido qualquer valor financeiro.

“Ele disse que meu carro estava com busca e apreensão devido a um financiamento feito em Canoas, com uma pessoa que eu nunca ouvi falar. Então, vieram buscar meu carro aqui, sendo que eu nunca fui ao Rio Grande do Sul”, relatou Sônia.

De acordo com a agricultora, a suposta compradora obteve um financiamento de R$ 70 mil e comprometeu-se a pagar cerca de R$ 130 mil ao banco. Sônia e seu marido garantem que nunca assinaram qualquer documento ou receberam qualquer quantia.

“O banco também alegou que o documento estava legalizado, mas não é verdade. Não há assinatura do meu marido em lugar nenhum. Como podem alegar que está certo?”, questionou a agricultora.

Ela acredita que documentos falsificados foram utilizados para consumar a fraude, destacando que não há assinatura do marido nos papéis.

Implicações do golpe

Sônia contratou uma advogada e registrou a denúncia na Polícia Civil, além de entrar com uma ação na Justiça. Em 22 de setembro, uma juíza aceitou o pedido de desbloqueio do veículo.

Entretanto, a liberação não foi efetivada no sistema, mantendo o carro impedido de circular ou ser vendido. Essa situação afetou a rotina da agricultora, que precisa do carro para cuidar de sua mãe, de 92 anos.

“Estou sem carro, não posso nem vender nem andar com ele”, desabafou.

Ela destacou que precisou alugar um veículo e já gastou R$ 15 mil apenas com aluguel, além de despesas com a advogada para provar que o carro é dela.

Posicionamento do C6 Bank

O C6 Bank informou que a situação é resultado de uma fraude externa de terceiros, com o financiamento concedido com base em documentos legítimos da proprietária do veículo, verificados pelos órgãos competentes. Contudo, descobriu-se posteriormente que o veículo tinha placas clonadas. Assim que tomou conhecimento do problema, o banco retirou as restrições relacionadas ao carro, que nunca foi apreendido e pode circular normalmente. Medidas judiciais estão sendo tomadas contra a revendedora, que já foi bloqueada e será descredenciada.

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