Nove acusados de eutanásia irregular de animais em Canoas são formalmente processados pela Justiça

Nesta quarta-feira (1º), a Justiça aceitou a denúncia contra nove indivíduos por envolvimento em eutanásia ilegal de cães e gatos, além de outros atos de maus-tratos a animais domésticos na cidade de Canoas. Com essa decisão da Vara Regional do Meio Ambiente, os acusados agora são considerados réus, conforme a determinação da juíza Patrícia Antunes Laydner.

Entre os réus se encontram a ex-secretária do Bem-Estar Animal de Canoas, Paula Lopes, uma policial civil, veterinários e membros de uma associação que foi criada e é mantida pela então titular da secretaria.

A juíza decidiu também pela manutenção da prisão preventiva de Paula Lopes, negando o pedido de liberdade feito por sua defesa.

As irregularidades relatadas pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS) teriam ocorrido em 2025, no Centro de Bem-Estar Animal da cidade e em outras áreas tanto em Canoas quanto em Porto Alegre.

Segundo o promotor Leonardo Giardin de Souza, que está à frente do caso, não há possibilidade de um acordo visando evitar o processo penal, visto que os crimes cometidos envolvem violência.

“A conduta dos envolvidos é absolutamente inaceitável e marcada por crueldade extrema. Isso diz respeito à proteção ambiental e ao sofrimento dos animais, além da dor imposta aos seus tutores. Não se trata apenas dos cidadãos de Canoas; isso intensifica o sofrimento que eles enfrentaram após a enchente em maio de 2024. As eutanásias ilegais foram realizadas em larga escala com intenções fraudulentas”, ressalta o promotor.

A ação é um desdobramento da Operação Carrasco, deflagrada pela Polícia Civil, focada na investigação de maus-tratos, formação de quadrilha e estelionato relacionados a animais domésticos.

Investigação revelou esquema envolvendo Pix

No dia 15 de junho, durante a segunda fase da operação, Paula Lopes e dois veterinários foram detidos. A Polícia Civil identificou um esquema fraudulento que realizava eutanásias indevidas em cães e gatos com o objetivo de desviar recursos arrecadados via Pix.

A investigação indicou que animais resgatados eram apresentados nas redes sociais com apelos para doações destinadas a tratamentos que nunca ocorreram. Em alguns casos, os animais foram levados à eutanásia mesmo havendo alternativas viáveis de tratamento.

Um dos cães envolvidos no esquema era debilitado e sem as patas dianteiras, sendo utilizado para solicitações financeiras nas redes sociais. Este animal foi apreendido durante a operação.

Em uma das situações apuradas, uma veterinária questionou sobre a possibilidade de doença antes de qualquer decisão sobre o animal. A resposta atribuída a Paula Lopes autorizou diretamente a realização da eutanásia sem um diagnóstico confirmado previamente.

No mesmo caso, enquanto solicitava apoio financeiro para custear um suposto tratamento do cão nas redes sociais, a ex-secretária teria autorizado nos bastidores a morte do animal.

Em outro episódio investigado, Paula Lopes discutiu com uma veterinária sobre um cão que apresentava indícios de esporotricose. Mesmo com informações sobre tratamentos possíveis, as orientações registradas foram interpretadas como instruções para proceder com a eutanásia.

Início da Operação ocorreu em 2025

A primeira fase da Operação Carrasco foi realizada em 4 de setembro de 2025, focando na Secretaria Especial do Bem-Estar Animal de Canoas.

Nesse dia, mandados de busca e apreensão foram cumpridos na sede do órgão municipal, na casa da então secretária, além de um sítio vinculado ao Instituto Nacional de Proteção Animal e na residência de uma médica veterinária associada à secretaria.

A análise dos materiais coletados pela Polícia Civil revelou que as taxas de eutanásia estavam acima do esperado para os tipos de animais resgatados e comparadas aos anos anteriores. Denúncias feitas por usuários dos serviços e funcionários da secretaria levaram à investigação.

Na segunda fase da operação, 12 mandados adicionais foram cumpridos. Equipamentos como celulares e computadores foram apreendidos para dar continuidade às investigações.

MP-RS solicita perda de bens e cargos

No conteúdo da denúncia apresentada pelo MP-RS estão solicitações para aplicação das penalidades previstas nas legislações ambiental e penal.

Dentre as ações requeridas estão a proibição da guarda de animais pelos réus, além da perda dos bens relacionados aos crimes cometidos e a destituição dos cargos públicos ocupados pelos envolvidos.

A investigação revelou que Paula Lopes estava ativa desde 2020 na captação financeira para o instituto. Foram identificadas 549 campanhas realizadas pelo instituto, recebendo R$ 672.670,39 provenientes de 14.545 pessoas diferentes.

By Fato ou Fake Canoas

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