Fernando Pessoa e Cristiano Ronaldo: Dilemas da aceitação e transformação

Durante um dos meus passeios pelo YouTube, me deparei com leituras de poesias, especificamente uma chamada “Monotonia”, atribuída a Fernando Pessoa. O texto aborda a relação entre felicidade e a capacidade de “monotonizar” a vida, destacando como pessoas que levam existências aparentemente comuns e rotineiras conseguem encontrar momentos de prazer.

Esse tema traz à tona uma discussão relevante nos tempos atuais, nos quais há uma crescente ênfase nas ciências sociais e em áreas como a psicanálise. Será que a cura e o bem-estar decorrem da desaceleração do cotidiano, aceitando uma certa simplicidade na vida, mas ganhando em introspecção e conexão com a natureza? Ou devemos buscar constantes transformações em busca do progresso, conciliando a subjetividade com a ideia de evolução?

Em contraponto a Fernando Pessoa, outro português está seguindo um caminho oposto. Cristiano Ronaldo, aos 40 anos, acumula números impressionantes de gols, títulos e riqueza. Recentemente, soube-se que sua família adquiriu imóveis no Litoral Norte do RS. Enquanto muitos atletas já teriam se aposentado nessa idade, CR7 continua em busca do milésimo gol, personificando a cultura contemporânea de metas, disciplina e produtividade.

Parece que Cristiano não se contenta com suas conquistas, buscando constantemente se aprimorar sem um ponto final definido à vista. Para ele, a evolução é um fim em si mesma. Já Fernando Pessoa, em contraste, observa a beleza estática das pedras, valorizando a existência em si. Enquanto um busca a validação externa daquilo que a sociedade considera desejável, transformando-se em uma engrenagem dessa comunidade, o outro reflete a figura cada vez mais comum do indivíduo solitário nas metrópoles, perambulando melancolicamente pelas ruas ou passando um domingo nostálgico em seu apartamento, na companhia de seus livros.

Ambas as experiências parecem ter suas fontes de satisfação. Existe uma conexão entre nós e o mundo exterior, onde os valores coletivos nos influenciam e nos direcionam. No entanto, também há momentos em que fechamos a porta e deixamos o mundo do lado de fora.

No entanto, há algo crucial que muitas vezes é negligenciado nessa discussão: o outro. Transitamos entre o reconhecimento social e a busca por um amor cotidiano, sem desconsiderar a importância de nos encontrarmos com alguém.

Em comum, permanece a incógnita eterna sobre o que buscamos e quando realmente nos sentimos realizados. Navegamos por miragens, sem sempre sabendo o que encontraremos do outro lado.

O artigo Fernando Pessoa e Cristiano Ronaldo: entre aceitar e transformar foi publicado originalmente no site Agora RS.

By Fato ou Fake Canoas

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