Na manhã desta quinta-feira (15), a Polícia Civil, através da DRACO (Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas) de Viamão, lançou a Operação Cadeia de Comando. Essa ação, que recebeu suporte operacional da Polícia Penal, visa desmantelar o tráfico de drogas e delitos relacionados que são orquestrados a partir de unidades prisionais no Rio Grande do Sul. Ao todo, foram realizadas dez prisões.
A operação mobilizou mais de 170 policiais civis em conjunto com agentes do sistema prisional e resultou na execução de 36 mandados de busca e apreensão além de 11 mandados de prisão preventiva. Os locais abrangidos pelas ordens judiciais incluíram cidades como Alvorada, Viamão, Canoas, Gravataí, Agudo e Balneário Pinhal.
Além das ações em áreas urbanas, as autoridades também realizaram operações em unidades prisionais estratégicas. Entre os locais visitados estavam a Penitenciária Estadual de Porto Alegre, a Cadeia Pública da mesma cidade, a Penitenciária Estadual de Charqueadas III, a PEJ (Penitenciária Estadual do Jacuí) e a PASC (Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas).
Investigação e modus operandi
O delegado Alexandre Luiz Fleck, chefe da DRACO em Viamão, revelou que as investigações começaram em fevereiro deste ano. O foco inicial foi um indivíduo associado a um grupo criminoso com sede principal em Alvorada e forte presença na Região Metropolitana.
Esse grupo se destacava pelo uso de táticas violentas para cobrar dívidas, incluindo agressões físicas e torturas. Suas atividades não se limitavam ao tráfico de drogas; também estavam envolvidos em roubos, homicídios e comércio ilícito de armas. Um aspecto notável da operação era a gestão à distância: presos já encarcerados utilizavam aplicativos de mensagens para emitir ordens sobre o transporte de drogas e a logística envolvendo armas e veículos utilizados nos crimes.
“As investigações revelaram que esse grupo tinha conexões não apenas na Região Metropolitana, mas também com o interior do Estado e o Litoral Norte”, acrescentou o delegado Fleck.
Ao concluir as atividades operacionais, Fleck ressaltou os desafios estruturais enfrentados pelas forças de segurança no combate ao crime organizado que se origina dentro dos presídios.
“Os dados obtidos nas investigações evidenciam uma necessidade urgente por mecanismos legais que possibilitem interromper atividades criminosas geridas por indivíduos já encarcerados. Mesmo com os esforços da Polícia Penal, esses crimes continuam ocorrendo sem um desestímulo efetivo”, enfatizou ele.
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